Missionari Iblei

Centro Missionario Diocesano – Ragusa

Projeto de medicina natural da Cáritas na Guiné-Bissau há 10 anos à espera dos curandeiros

Foto – Missionarie dell’Immacolata – PIME. Suor Maria Raudino (al centro della foto) è di Giarratana, Diocesi di Ragusa.

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Bissau, 11 out (Lusa) – A Cáritas começou há uma década um projeto de promoção da medicina natural na Guiné-Bissau programado para envolver os curandeiros, mas até hoje nem sequer um colaborou com a instituição religiosa, disse hoje à Lusa a coordenadora do projeto.

“Não dizem nada, não contam nada, quando morrem é uma farmácia que vai com eles”, lamentou hoje à Lusa a coordenadora do projeto, a irmã Maria Raudino, da congregação das Missionárias da Imaculada.

Nascida na Sicília (Itália,) mas há muito na Guiné-Bissau, conta que já viu uma mulher curar a dependência do álcool com um preparado secreto. “Ela morreu e ninguém na família sabe hoje como o fazer”, disse.

Ao longo da última década, a Cáritas, um organismo da Igreja Católica, tem desenvolvido a medicina natural mas a ideia inicial, de envolver os curandeiros, está longe de ser concretizada.

“Vamos às tabancas (pequenas aldeias) e falamos com eles, mas é difícil. No ano passado, o Ministério da Saúde promoveu um encontro com oito ou nove curandeiros, em Mansoa. Eles viram os nossos produtos, disseram que também usam, mas nenhum explicou nem como usa nem para que servem”, contou a religiosa.

Até hoje são vários os curandeiros que chegam junto da Cáritas, especialmente do grupo que desenvolve a medicina natural em Mansoa (leste). Querem saber e ver, mas nunca dizem uma palavra sobre o seu ofício, referiu.

Ainda assim, o grupo “Natureza em Vida”, da Cáritas, segue o seu caminho. No ano passado vendeu 565 garrafas de medicamento para a hepatite e “mais de 400” para a febre tifoide. Preparados naturais para a anemia, paludismo, bronquite ou asma também há, a preços baixos (cerca de 1,5 euros), explicou Maria Raudino.

“O que nos falta aqui é o material, os frascos e as caixas para as pomadas. Agora usamos as garrafas das cervejas porque aqui não há nada, nem sequer no Senegal”, diz a responsável do grupo, que garante haver na Guiné-Bissau “muitos plantas de medicina natural”. “Temos uma farmácia sem pagar nada”, disse.

Os guineenses do interior recorrem essencialmente à medicina natural, mas segundo Maria Raudino até mesmo na capital, porque “aqui, na Guiné-Bissau, quem não tem dinheiro morre”.

No Hospital Simão Mendes, o mais importante do país, qualquer consulta ou tratamento é pago. Mesmo uma operação de emergência só é feita se o doente pagar.

A Cáritas tem um grupo de cinco pessoas em Mansoa que recolhe, prepara e vende produtos de medicina natural, e mais duas em Farim (norte) e três em Bissorã (norte). Em Contuboel (leste) tem também um grupo a recolher e preparar uma raiz para a prevenção da malária.

Pela sua experiência, diz Maria Raudino que “os verdadeiros curandeiros são bons”, acrescentando que há muita adesão da população à medicina natural, incluindo a praticada pela Cáritas naquele que foi um projeto impulsionado por uma especialista brasileira há mais de uma década.

“Às vezes são os próprios médicos que nos enviam doentes”, conta, garantindo nunca ter ouvido falar de plantas ou preparadas que tenham levado alguém à morte.

Ao contrário, afirma, através da medicina natural até se curam mordeduras de cobras venenosas com a “pedra negra”, um preparado que inclui osso de vaca. Mas o resto são plantas, folhas e raízes. E seria mais, se os curandeiros colaborassem.

FP // VM.

Lusa/Fim

 

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